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  • Gabriela Lutibergue

Miniconto: A madrasta

Atualizado: Mai 22

Ela o amou no mesmo instante que o viu. Era a imagem do pai refletida no filho. De alguma forma, havia quem dissesse que o menino também tinha seus traços. Gostava disso. Gostava de ouvir sobre coincidências e impossibilidades. Descobriu o peso da maternidade precocemente, sem os benefícios da obediência. Perdeu a liberdade de andar com pouca roupa. A casa não era mais um ninho de dois pássaros. Aprendeu a fazer sobremesa gostosa para o lanche da tarde. Reclamou do quarto bagunçado. Brincaram juntos. Trocou o tempo livre para ajudar com as provas bimestrais. Cansou de pedir a mesma coisa. Inventou passeios a três. Comprou o que ele precisava. Tentou cicatrizar a carência. Beijou-lhe o rosto, como quem beija o próprio filho. Chorou com a ingratidão. Perdoou. E também pediu perdão. Quis férias, mas, nas férias, sentiu saudade. Na saudade, só lhe restava uma palavra. E o mundo cabia dentro dela: madrasta.

Autora: Gabriela Lutibergue


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